Não digitalize, transforme digitalmente!

Não digitalize, transforme digitalmente!

A buzzword do momento com certeza é transformação digital. Está na pauta de presidentes, diretores de marketing, tecnologia, áreas de negócio, etc. Em algumas empresas, a função de CDO (Chief Digital Officer) tem sido criada para conduzir jornadas de transformação digital. E tudo isto na minha visão não é modismo. É necessidade. Quem não reinventar seus negócios a luz do que estamos vivendo, será fatalmente engolido por concorrentes que estão se reinventado. Ou por startup´s, que por sua vez estão reinventados nossos negócios. Que loucura.

Nesta onda de transformação, uma diferença semântica de palavras em inglês me chamou bastante atenção. Em inglês, existem duas palavras, absolutamente distintas, que tratam o tema: digitization e digitalization. Ambas em português foram traduzidas como digitalização.

Digitization é o ato de tornar o analógico em digital, em um DE/PARA ipsis litteris. Sem tratamento, sem transformação, pega-se o que feito de forma analógica e copia-se para sua forma digital. Vamos chama-lo aqui de Digitalização.

Digitalization, por sua vez, vai além de simplesmente transformar o análogo em digital. Aqui o intuito é utilizar o melhor das tecnologias digitais (mobile, cloud, big data, social media, etc) para transformar o que já existe em algo mais prático, mais inteligente, mais eficaz, que proporcione uma melhor experiência de uso. Chamá-lo-emos de Transformação Digital.

E por que as empresas tanto buscam a digitalização ou a transformação digital? Os motivos são muitos, e variam de empresa a empresa, mas os pilares usualmente são: tornar escalável, em grandes e rápidas proporções; executar rápido, com eficácia e agilidade; melhorar a experiência de uso, buscando tornar os usuários os promotores do produto ou serviço.

Assim tem acontecido com a educação. Ninguém tem mais dúvida da imprescindibilidade de ferramentas digitais para a sobrevivência e prosperidade de empresas e organizações que atuam no segmento educacional. O Coursera (plataforma online de cursos gratuitos) tem mais de 15 milhões de alunos, o que o torna a maior instituição de ensino do mundo. PS: o Coursera tem 120 funcionários.

O problema, na minha visão, é que as empresas e organizações estão digitalizando mais do que transformando. Mais, estão abusando da digitalização. Pegar uma aula presencial, com todas suas nuances e seu charme natural, gravá-la e distribui-la pela internet está longe do que podemos fazer com tudo que temos hoje. E é o que mais tem ocorrido. A experiência, o aprendizado, sofre muito com este modelo escalável, porém pouco efetivo do ponto de vista de quem usufrui do produto/serviço.

O caminho é de fato pensar na transformação digital do ensino, do conteúdo, para que se tenha uma experiência de aprendizado satisfatória de forma escalável, infinita. É massificar a personalização. É criar formas atraentes, interativas, agradáveis, e obviamente escaláveis, para se propagar mensagens que serão entendidas e absorvidas.

E para isto não temos respostas ou formulas prontas. A equação é única para cada desafio. O importante é termos um conhecimento que valha a pena ser escalado de um lado, e ferramentas digitais que permitirão sua escala de forma agradável de outra. Junta-se os dois, define-se a melhor equação, e voilá, teremos uma plataforma de propagação de conhecimento útil, palatável, atraente e que desperte nas pessoas que a consomem o desejo de mais, e mais, e mais. O ser humano parece ter necessidades por vícios. Vamos tornar o conhecimento algo viciante. Antes de nos perguntarmos se o projeto de transformação digital é bom, é escalável, devemos nos perguntar: é viciante?

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